Especial da semana, entrevistas com as influenciadoras digitais. Perdeu as duas primeiras entrevistas no post da segunda? Veja aqui!

Transição capilar por, EDILMA SANTOS DE ALMEIDA, Nova Odessa/SP

33 anos, cantora, canal: Diário da Mei, 1.454 inscritos até a data dessa postagem

(Foto: Arquivo pessoal/Instagram)

“A redescoberta da liberdade! É a alegria de saber que você é mais que um cabelo. Você não precisa se desgastar para ser algo que alguém quer que você seja, e ainda assim ser linda. Sendo simplesmente você.”

Com cabelos crespos de curvatura 4A, Edilma estava cansada de passar pelos processos químicos. Ela conta que o cabelo era bem danificado e ouvia de um amigo que sofria sem necessidade e que sendo quem ela era de verdade, natural, poderia ser o fim da busca de uma aceitação que tinha que partir dela mesma.

Quanto ao meio digital ela afirma: “Não vejo como concorrência, por que a internet é vasta. O youtube é uma plataforma de um alcance fantástico. Por mais que algumas pessoas sejam mais famosas, sempre vai existir alguém novo se destacando. Gosto muito de saber que as mulheres podem ser representadas de verdade. Quanto mais meninas se apresentam com conteúdo do seguimento como o meu, melhor. Precisávamos muito que as meninas de cabelos crespos se movimentassem. Ainda bem que tem acontecido”.

 Edilma teve vontade de se ver representada. Ela queria dizer a outras mulheres, que elas são lindas como são. “Quando eu aceitei o meu cabelo sendo bonito, queria que mais pessoas tivessem a mesma descoberta. No começo gravava só me maquiando, cantando, até que um dia fiz vídeo de cabelo e o alcance foi bem maior. Os comentários pedindo mais vídeos de cabelo me fizeram migrar para o seguimento. E também utilizo o Instagram como local de conteúdo”, comenta a influenciadora. Apesar do Canal não ser a fonte de renda dela, Edilma conta que investe no canal, com câmera e compra de outros equipamentos para gerar conteúdo.

Quando questionada sobre o sucesso das mídias digitais, a youtuber afirma: “Infelizmente ainda no encontramos salões especializados no seguimento em todo lugar, a falta de salões, e os custos também são determinantes.” Ela conta que hoje o mercado conta com uma grama enorme de produtos para cabelos crespos e cacheados, coisa que antes não existia. Outro fator importante para a cantora é que víamos as propagandas de produtos para cabelos na televisão, feita por atrizes, com uma beleza invejável e inalcançável. O acesso a pessoas “reais”, fez com que as mulheres, encontrassem na internet sua representatividade.

Siga Edilma Santos: Youtube: Edilma Santos, Blog: edilmasantos.com, Instagram: @edilmaoficial, Twitter: @edilmaoficial

Transição capilar por, MICHELE PASSA, São Paulo/SP

32 anos, professora de física e blogueira, canal: Michele Passa, 21.998 inscritos até a data dessa postagem

(Foto: Arquivo pessoal/Instagram)

“É um movimento muito forte do ponto de vista de transformação da autoestima, de autoconhecimento e de valorização da nossa identidade. Não é só porque o cabelo será natural, mas porque quando estamos voltando ao nosso cabelo natural passamos a refletir sobre a importância da representatividade para as pessoas ao nosso redor e pra nós mesmas, pelo menos comigo foi assim e muitas leitoras me contam o mesmo.”

Com admirável black power tipo 4C, Michele entrou em transição em junho de 2015 e fez o Big Chop em abril de 2016. Motivada por algumas situações de racismo que estavam acontecendo na época, inclusive com ela mesma, e a vontade de, como professora, dar o exemplo de orgulho da raça.

Michele vê o movimento de transição capilar como algo muito produtivo e empoderador para as mulheres de todas as idades, que ainda tem preconceito com seu próprio cabelo e enfatiza que o pensamento ideal deveria ser o de que quando uma aparece, todas as outras crescem e muito mais pessoas são ajudadas.

Sobre a ideia do canal, Mih, como é conhecida carinhosamente pelas seguidoras, declara: “Surgiu porque estava levando muito fácil a transição capilar, estava dividindo meu cotidiano pelo Instagram e algumas pessoas disseram que eu deveria gravar. Decidi criar o canal justamente pq tinha visto muito vídeos de sofrimento na transição e a minha ideia era justamente contrária, sabendo que não é fácil, mas que também dá pra fazer muita coisa e ser feliz com o visual durante a transição”.

A professora que adora escrever, também possui um blog chamado “crespissimablog”, também tem Instagram, pinterest e Twitter.  Trabalha profissionalmente, investiu dinheiro na compra de equipamentos, mas conta que até hoje não teve muito retorno financeiro.

“Acho que as mulheres procuram motivação, exemplos de empoderamento, ajuda na sua autoestima que muitas vezes é destruída por coisas, pessoas e situações cotidianas. Procuram também por soluções para quando não sabem fazer determinado tipo de tratamento nos cabelos, entre outras coisas. Ao mesmo tempo acho sim, que faltam salões especializados e profissionais que possuam o tato e a sensibilidade de não pensar que toda crespa quer ou precisa colocar alguma química para mudar seus cabelos”, declara Michele.

A youtuber não fez curso para cuidar dos cabelos, mas conta que pesquisa bastante. “Desde que entrei em transição tive muita motivação para recuperar meus fios e vê-los saudáveis e naturais como há muito tempo não via,” afirma a professora.

Siga Michele Passa: Youtube: Michele Passa, Blog: Crespissimablog, Instagram: @michelepassa, Twitter: @mihpassa

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