Expressões como “cabelo de Bombril”, “cabelo ruim” e “cabelo duro” são estereótipos associados ao cabelo afro. Por conta disso, a transição capilar não é moda, ela vem para derrubar a “ditadura” dos cabelos lisos a todo custo. Vale ressaltar o respeito pelos diversos padrões estéticos existentes porque não é a intenção julgar o cabelo crespo melhor que o liso. O objetivo é mostrar que esse movimento não vai passar, pelo simples fato de que as mulheres negras estão se aceitando como são apesar do preconceito.

A mulher negra têm na jornada inúmeros desafios para poder se incluir na sociedade. Segundo a professora Doutora do curso de psicologia da Estácio de São José/SC, Edelu Kawahala, para que essa mulher possa entrar no mercado de trabalho ela precisa enfrentar três categorias complicadas: raça, gênero e classe. Na maioria das vezes como reflexo do período de escravidão, essas mulheres são empobrecidas.

Edelu faz um adendo sobre a questão do racismo no Brasil. Segundo ela, aqui no nosso país o racismo se dá a partir dos traços fenotípicos, diferente dos EUA “que é descendência. Um exemplo é quando as negras não assumem o cabelo afro, mostrando assim a inegabilidade da própria raça. Como no caso de uma mulher negra que usa cabelo liso e loiro, isso faz com que algumas pessoas usem frases do tipo: “você nem é tão negra assim”. Portanto, para a professora, assumir os cabelos é ir para um enfrentamento desse nível.

Em casos de discriminação por causa da estética, Edelu, que também é coordenadora do projeto SOS RACISMO da Estácio de Santa Catarina, orienta para que essas mulheres procurem o projeto. Na sede do “SOS” elas encontrarão atendimento jurídico e psicológico. Na opinião da psicóloga, resistir é essencial para que as novas gerações possam ter os cabelos que querem.

“Eu quero que um dia, isso não seja mais um símbolo de resistência, mas nesse momento pensando politicamente, cabelo crespo é essencial, é resistir na negritude. Então essas mulheres negras que decidem fazer transição, precisam estar amparadas, junto a movimentos de mulheres negras, acompanhar a página Geledés, ou seja, ela precisa criar essa rede porque aí é mais fácil”, avalia a psicóloga.

Ouça o Podcast com a professora da Estácio Edelu Kawahala

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(Foto da capa: Miguel Machado)

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